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"Sejam Activas. Sejam Capazes." é o que se pode ler no final deste testemunho.

É um dos tantos exemplos que apetece seguir. 

Ora leiam lá:

"TRANSFORMAÇÃO por Rute Duarte"

"Escrever sobre nós mesmos não será de todo o exercício mais fácil de ser feito. Não sei como hei-de começar a escrever aquilo que sei de cor: esta parte da minha vida que foi e é a minha transformação física. Aquilo que me permite estar aqui hoje a escrever-vos.

Se eu retroceder cinco anos posso garantir-vos que nem nos meus sonhos mais íntimos imaginei que a minha vida mudaria tanto, porque quando o corpo muda a vida vai por arrasto. Sendo eu uma pessoa tão ligada ao conteúdo de cada um vejo com admiração que afinal foi a minha mente que me permitiu mudar o meu corpo mas foi o meu corpo que mudou toda a minha vida. Apresentando-me um mundo de possibilidades que me têm levado a lugares, experiências e pessoas.

Vamos até Fevereiro de 2011, quando eu, cansada de ser uma mulher com excesso peso, resolvo mudar de figura física. Como eu me desprendi de toda e qualquer desculpa para finalmente o fazer. Aquele momento do qual eu já falei tantas vezes, em que me olho ao espelho numa confrontação comigo mesma e me apercebo que o meu reflexo não traduzia o meu interior. Foi ali naqueles segundos que decidi mudar. Sem por um único momento olhar para trás. Não me senti assustada com o facto do meu corpo já ter passado por três gravidezes e nem por todas as oscilações de peso inerentes a isso às tantas dietas que já tinha feito. Não, o medo foi uma das emoções a ser excluída da minha equação. As tantas dietas que tinha feito permitiram-me retirar o que eu achei que me fazia engordar da minha alimentação, fiz muitas caminhadas e algum ginásio.

Mas pessoas conscientes como eu não conseguem fazer mudanças fáceis. Foi difícil desde o início. A partir do momento em que já não vamos comer aquele chocolate diário, ou aquele pequeno-almoço no café e que os meus adorados croissants já não fazem parte do meu menu começa a ser difícil. É algo com que somos logo confrontados. O quão difícil vai ser assim que começamos a sentir fome. Assim que deixamos de nos alimentar da maneira que nos fazia sentir confortáveis. Psicologicamente pode ser muito desafiante. Mas nem nessa altura cedi. Não. Mantive-me sempre muito férrea no meu intuito de me tornar magra. Depois acontecem aqueles erros de não ajustarmos bem a rotina de ginásio com um plano alimentar adequado às necessidades e objetivos. No primeiro ano consegui, sim, realmente tornar-me magra, até muito magra, perdi por volta de dezasseis quilos. Mas rapidamente me apercebi que ser magra não me daria um corpo fit como aqueles que eu fui aprendendo a gostar ao longo daquele primeiro ano. E fui confrontada com um beco. Porque a partir dali já não soube o que fazer para chegar a esse corpo. E foi precisamente nessa altura que tive a sorte de começar a ser acompanhada pelo atleta português Carlos Rebolo. A partir daí foi quando tudo começou a cair no seu devido lugar. Ter um bom acompanhamento é essencial para uma transformação física ter sucesso. Penso que seja a única forma de não perder tempo numa viagem que vai durar a vida toda.

Posso então dizer que não, não foi uma mudança fácil – mas foi e é uma mudança feliz.

Aparte de todo este processo físico, fui-me apercebendo de como estamos inseridos numa sociedade bipolar no que concerne às imposições físicas. Lembro-me de ter excesso de peso e dizerem-me que estava gorda, de ser magra e perguntarem se tinha cancro ou estava anorética, e hoje não se coíbem de me dizer que fico feia com tanta definição. Recordo-me que esse foi um aspecto que imediatamente apaguei da minha vida: aquilo que os outros podem dizer ou pensar sobre o meu aspecto físico. O meu aspecto físico, seja ele qual for, é a minha escolha e é algo que deve ser respeitado mesmo que não agrade.

Gerir toda uma família com o ginásio e dieta não é fácil. Se calhar já não sou tão eficiente como outrora mas a questão é que os filhos também crescem permitindo que nós mães tenhamos os nossos próprios interesses. Existem dias mesmo muito complicados em que as horas não esticam e eu tenho de ajustar tudo o que tenho de fazer naquele dia muito bem. Sou uma pessoa muito metódica e gosto de ter uma certa rotina na minha vida de forma a conseguir organizar-me, e consigo. Aposto na planificação. Tento cumprir bem os meus horários e aprendi nos últimos anos a não me distrair com coisas que no fundo não me acrescentavam nada e só me faziam perder tempo. Os meus conselhos neste aspecto é que planifiquem as vossas refeições, cozinhem-nas previamente. Preparem tudo o que puderem preparar no dia anterior para o dia seguinte. Não deixem tudo para a última hora. Mas acima de tudo priorizem-se, não se sintam culpadas de se darem prioridade durante algumas horas do dia, é isso que eu faço e tem corrido bem. Saber gerir tudo o que é a minha vida permitiu-me atingir um dos meus objectivos, que era fazer uma foto de transformação física com uma foto de competição.

Recordo o dia em que saiu a foto do “antes e depois” como a abertura duma porta que não se fechou mais. Sendo reservada por natureza foi e é essa porta que permite que tantas pessoas entrem pela minha vida a dentro com dúvidas, incredulidade perante tal transformação. Afinal fotos destas vêem-se apenas “lá fora” (dizem-me), apresentam-me as suas vidas, muitas delas duras e sem esperança. Faço questão de manter essa porta sempre aberta por isso nunca deixei de responder, mas acima de tudo de ouvir. Afinal nos meus dias difíceis, eu também me consegui manter firme no meu percurso devido ao carinho de pessoas que não conheço. Não vejo problema nenhum neste ciclo positivo.

A ideia de competir começou a ganhar forma por volta do final de 2013. Não demorei muito a escolher onde e quando queria competir. Foi um processo muito duro, não só porque uma dieta de competição é uma experiência física violenta, mas porque sabia que tendo eu trinta e seis anos e alguns anos com excesso de peso e sedentarismo iria competir com atletas com menos dez anos que eu, com corpos que só conheceram ginásio e dietas mas, nem mesmo aí o medo tomou conta da situação. Foi um processo feliz em que só me lembro de sentir satisfação por lá estar lá. E quando acabou, eu sabia que queria voltar.

Todo este processo trouxe-me uma saúde física e uma auto-estima tão bem construída que me permite ser um melhor ser humano em todas as áreas da vida. Trouxe-me a possibilidade de me tornar uma inspiração para outras mulheres, algo que também para mim é inspirador. Seja qual for a tarefa que executemos na vida devemos entender que só valerá a pena se pudermos ajudar quem precisa efectivamente.

Que a diferença entre alcançar ou não um objectivo está apenas no ser capaz de acreditar que seremos bem-sucedidas.

Ser Maria Capaz é isto, escolher um ou vários sonhos e transformá-los em realidades.

Sejam activas, sejam Capazes

Rute Duarte"

 

Texto original (com fotos da transformação) aqui.

 

"UMA ACTIVIDADE POR DIA, NEM SABEM O BEM QUE VOS FAZIA"

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